América Latina, a história de um conceito

  • Eurídice Figueiredo Universidade Federal Fluminense
Palabras clave: América Latina, Améfrica Ladina, Lélia Gonzalez, Abya Yala

Resumen

Neste texto pretendo traçar o histórico da criação e da divulgação do conceito de América Latina a partir do movimento da latinidade, no século XIX, que servia de justificativa para os sonhos imperiais da França, durante sua expansão colonial na África, em clara competição com a Grã-Bretanha. Essa latinidade vem sendo questionada por movimentos que lutam por uma decolonialidade epistêmica e política, propondo alternativas para identificar um território multirracial e multicultural. Assim, o termo Abya Yala, designação histórica aplicada ao continente americano no idioma kuna, passou a ser adotado pelos movimentos dos povos originários que recusam o nome “América”, dado pelos colonizadores europeus. Por outro lado, a expressão Améfrica Ladina, usada pela socióloga brasileira Lélia Gonzalez, dá ênfase à contribuição africana para a formação da região.

Biografía del autor/a

Eurídice Figueiredo, Universidade Federal Fluminense

Doctora de la UFRJ (1988), actúa en el Programa de Posgrado en Estudios de Literatura en la Universidad Federal Fluminense. Publicó Mulheres contra a ditadura: escrever é (também) uma forma de resistência (Zouk, 2024), A nebulosa do (auto)biográfico: vidas vividas, vidas escritas (Zouk, 2022), Janelas para o mundo; literatura comparada ou autores estrangeiros que você precisa conhecer (com Anna Faedrich, EdUFF, 2022), Por uma crítica feminista: leituras transversais de escritoras brasileiras (Zouk, 2020), A literatura como arquivo da ditadura brasileira (7letras, 2017), Mulheres ao espelho: autobiografia, ficção e autoficção (EdUERJ, 2013), Representações de etnicidade: perspectivas interamericanas de literatura e cultura (7Letras, 2010). Fue investigadora del CNPq entre 1993 y 2023.

Citas

Acosta, Alberto (2016). O bem viver; uma oportunidade para imaginar outros mundos. Tradução de Tadeu Breda. São Paulo: Autonomia Literária, Elefante.
Almeida, Sílvio (2019). Racismo estrutural. São Paulo: Jandaíra.
Barelli, Giovanna de Assis (2012). A importância da indumentária nas pinturas de castas: um estudo do quadro ‘Castas’ de Luis de Mena. Epígrafe, São Paulo, v.10, n.1, pp.484-504. DOI: 10.11606/issn.2318-8855.v10i1p484-504
Césaire, Aimé (1955). Discours sur le colonialisme. Paris: Présence Africaine.
Dussel, Enrique (2009). “Being-in-the-World Hispanically. A World on the ‘Border’ of Many Worlds. Translated by Alexander Stehn”. Comparative Literature. The Americas, Otherwise. Vol. 61, n. 3, University of Oregon, Eugene, Summer. pp. 256-273. Site enriquedussel.com/txt/Textos_Articulos/344.2003_ingl.pdf. DOI: 10.1215/00104124-2009-015
Feres JR., João (2005). A história do conceito de Latin America nos Estados Unidos. Bauru (SP): EDUSC.
Glissant, Édouard (1981). Le discours antillais. Paris: Seuil.
Gonzalez, Lélia (2018). Primavera para as rosas negras. Lélia Gonzalez em primeira pessoa... Coletânea organizada e editada pela UCPA, União dos Coletivos Pan￾Africanistas. São Paulo: Diáspora Africana.
— (2020). Por um feminismo afro-latino-americano; ensaios, intervenções e diálogos. Organização de Flavia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar.
Gonzalez, Lélia, Hasenbalg, Carlos (2022). Lugar de negro. Rio de Janeiro: Zahar.
Grosfoguel, Ramón (2023). Para uma visão decolonial da crise civilizatória e dos paradigmas da esquerda ocidentalizada. Tradução de Joaze Bernardino-Costa. In: Bernardino-Costa, Joaze, Maldonado-Torres, Nelson, Grosfoguel, Ramón. Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. Belo Horizonte: Autêntica. p. 55-77.
Lisboa, Armando de Melo (2014). De América a Abya Yala - Semiótica da descolonização. Revista de Educação Pública. V. 23, n. 53/2, pp. 501-531. Cuiabá: UFMT, maio/ago. https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/educacaopublica/article/view/1751. DOI 10.29286/rep.v.23/53/2-1751
Martí, José (2005). Nuestra América. Buenos Aires: Nuestra América Ed.
Mignolo, Walter (2003). Histórias locais/Projetos globais. Colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG.
— (2007). La idea de América Latina. La herida colonial y la opción decolonial. Traducción de Silvia Jawerbaum y Julieta Barba. Barcelona: Gedisa Editorial.
O’Gorman, Edmundo (1986). La invención de América; investigación acerca de la estructura histórica del nuevo mundo y del sentido de su devenir. México: Fondo de Cultura Económica.
Quijano, Aníbal (2012). Colonialidade do poder e classificação social. In: Santos, Boaventura de Souza, Meneses, Maria Paula (dir.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez. p. 84-130.
Ratts, Alex, Rios, Flavia (2010). Lélia Gonzalez. São Paulo: Selo Negro.
Rojas Mix, Miguel (1991). Los cien nombres de América; eso que descubrió Colón. Barcelona: Editorial Lumen.
Spivak, Gayatri (2010). Pode o subalterno falar?. Tradução de Sandra Regina Goulart Almeida et al. Belo Horizonte: Editora UFMG.
Publicado
2026-08-18
Cómo citar
FigueiredoE. (2026). América Latina, a história de um conceito. Revista Telar ISSN 1668-3633, (36), 50-65. https://doi.org/10.70198/rt.36.818